Médicos revelam modelo de saúde do Reino Unido que prioriza o diálogo com o paciente enquanto a China aposta na velocidade extrema

Cerca de 40 médicos chineses realizaram estágios de três meses em hospitais do Reino Unido para trocar experiências profissionais e comparar os modelos de atendimento de ambos os países, destacando diferenças no acesso a exames, tempos de consulta e fluxos de trabalho.
Divergências na rotina de consultas e no tempo de diagnóstico
Os estágios ocorreram em instituições britânicas como St George’s Hospital, University College London Hospital, King’s College Hospital e Hammersmith Hospital.
O grupo reuniu profissionais de especialidades como ultrassonografia, anestesiologia, obstetrícia, ginecologia e neurologia. Durante as atividades, os participantes observaram o funcionamento do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS) e apresentaram as práticas adotadas na China.
A comunicação com os pacientes e a duração do atendimento ambulatorial figuraram entre as principais diferenças constatadas. O médico Wu Xiaodong, do Hospital Feminino da Faculdade de Medicina da Universidade de Zhejiang, relatou que os médicos no Reino Unido chegam a dedicar cerca de 20 minutos para cada paciente em turnos matinais com seis a oito atendimentos. Em contrapartida, departamentos na China chegam a receber de 20 a 30 pacientes no mesmo período.
O tempo para a entrega de exames laboratoriais e diagnósticos também apresentou variações entre os dois sistemas.
A médica Chen Xin, vice-diretora do terceiro departamento de neurologia do Hospital Popular de Xingtai, citou que os testes de neuroimunologia no Reino Unido podem levar quase um mês, enquanto a citologia do líquido cefalorraquidiano demora de duas a três semanas. Segundo ela, grandes hospitais terciários chineses costumam obter os resultados em aproximadamente dois dias.
Métodos de trabalho e modelos de assistência hospitalar
A cirurgiã de cabeça e pescoço Qian Xiaoyu, do Primeiro Hospital de Jiaxing, mencionou que a rede especializada da China permite concluir exames e tratamentos em prazos curtos. Ela apontou como exemplo positivo a estrutura do University College London Hospital para tratamento da tireoide, onde consultas, ultrassons, avaliações de biópsia e planejamentos ocorrem em um mesmo local.
No setor de anestesiologia, o vice-diretor do departamento no Segundo Hospital Afiliado da Universidade Médica de Wenzhou, Yuan Kaiming, observou os procedimentos do Hospital Hammersmith. Yuan destacou a continuidade do cuidado obtida por protocolos e repasses de dados em unidades cardíacas, além do uso de ecocardiografia transesofágica por anestesistas e de estratégias multimodais contra a dor pós-operatória.
As rotinas de internação também apresentaram distinções operacionais. Wu Xiaodong ressaltou que os hospitais britânicos recorrem a enfermeiros e auxiliares para prestar cuidados diários aos pacientes internados, tarefas que na China costumam ser desempenhadas por membros da família.
Compartilhamento de técnicas e perspectivas de cooperação
Durante o intercâmbio clínico, os médicos chineses apresentaram métodos de trabalho aplicados em suas unidades de origem. O médico Xu Chenke, do Hospital Popular nº 1 de Hangzhou, abordou técnicas em procedimentos guiados por ultrassom, como ablação e drenagem de tumores. Por sua vez, Qian Xiaoyu compartilhou procedimentos de cirurgia de tireoide convencional e minimamente invasiva voltados para a redução de cicatrizes.
Do lado britânico, a médica Rebecca Addison, do King’s College Hospital, declarou que o contato permitiu refletir sobre as condutas clínicas locais e manifestou interesse no uso de inteligência artificial, ciência da computação e robótica na medicina chinesa.
O médico Max, do University College London Hospital, relatou que os visitantes integraram-se às equipes de trabalho cotidianas.
Os profissionais participantes avaliaram que os dois sistemas operam sob pressões distintas. Enquanto o modelo britânico se apoia na atenção primária, padronização e comunicação com o paciente, o sistema chinês apresenta agilidade no encaminhamento a especialistas, elevado volume de atendimentos e uso de ferramentas digitais para agendamentos e resultados.
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