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China encontra ferro gama no lado oculto da Lua, material que exige temperaturas acima de 900 °C, e cientistas tentam explicar como ele sobreviveu ao frio lunar

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Amostras coletadas pela missão chinesa Chang’e-6 revelaram ferro gama, material associado a temperaturas superiores a 900 °C. Cientistas investigam como essa estrutura resistiu ao frio lunar e o que revela sobre antigos impactos de meteoritos

Cientistas chineses identificaram ferro gama na Lua, uma forma rara do metal que normalmente só permanece estável em temperaturas elevadas. A descoberta ocorreu em amostras trazidas pela missão Chang’e-6 e pode revelar detalhes sobre antigos impactos e o magnetismo lunar.

Ferro gama foi encontrado em amostras coletadas pela China

A missão Chang’e-6 trouxe à Terra cerca de 1,94 kg de material do lado oculto da Lua, em junho de 2024. Entre os fragmentos analisados, pesquisadores encontraram partículas microscópicas de ferro preservadas em vidro formado por impactos.

Segundo a Academia Chinesa de Ciências, a descoberta foi publicada na revista científica PNAS em 16 de setembro de 2026. É a primeira identificação confirmada dessa estrutura de ferro em amostras lunares naturais.

Como o ferro resistiu às baixas temperaturas?

O ferro gama normalmente é estável entre aproximadamente 912 °C e 1.394 °C. Quando esfria, tende a assumir outra estrutura, conhecida como ferro alfa.

A explicação proposta envolve impactos de meteoritos. As colisões teriam produzido calor suficiente para formar o material, enquanto o resfriamento rápido e pequenas quantidades de carbono ajudaram a preservar sua estrutura.

Os pesquisadores também apontam que o vidro ao redor das partículas pode ter impedido a transformação do ferro gama em ferro alfa.

Descoberta pode revelar antigos campos magnéticos

O estudo científico publicado na PNAS identificou partículas com uma organização magnética chamada estado de vórtice.

Embora a Lua não possua atualmente um campo magnético global, seus minerais conservam registros de magnetismo antigo.

A descoberta abre caminho para investigar se esses registros foram produzidos por impactos ou por um antigo campo magnético gerado no interior lunar. Novos experimentos deverão avaliar essa possibilidade.

Matéria elaborada com base neste artigo da CNN.