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Com mais de 2 milhões de robôs trabalhando nas fábricas, China investe US$ 20 bilhões para transformar sua indústria, automatizar a produção e enfrentar a falta de trabalhadores

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Com mais de 2 milhões de robôs industriais em operação, a China acelera investimentos em automação e inteligência artificial, transforma fábricas de automóveis e prepara trabalhadores para enfrentar mudanças no mercado de trabalho do país

A expansão dos robôs industriais na China está mudando a maneira como o país fabrica carros, equipamentos eletrônicos e máquinas. Com investimentos bilionários em automação e inteligência artificial, Pequim quer modernizar suas indústrias e disputar a liderança tecnológica com os Estados Unidos.

China já tem mais de 2 milhões de robôs trabalhando nas fábricas

O governo de Xi Jinping aposta em um plano de US$ 20 bilhões para acelerar o desenvolvimento de robôs e inteligência artificial. O objetivo é ampliar a automação industrial e fortalecer a capacidade tecnológica do país.

Segundo uma reportagem da BBC News Brasil, publicada em 30 de agosto de 2026, mais de 2 milhões de robôs já operam nas fábricas chinesas. É o maior número registrado em um único país.

A China também se tornou uma grande fornecedora dessas máquinas. De acordo com a reportagem, mais da metade dos robôs industriais fabricados no mundo sai de empresas chinesas.

Esses equipamentos realizam tarefas como soldagem, pintura, movimentação de cargas e montagem de componentes. Algumas empresas trabalham em modelos capazes de participar até da fabricação de outros robôs.

Fábricas de carros já automatizaram praticamente toda a produção

Na cidade de Hangzhou, a fabricante de veículos elétricos Leapmotor mostra como essa transformação acontece na prática.

A montadora utiliza máquinas em praticamente todas as etapas de fabricação. Segundo Cao Li, vice-presidente da empresa, os processos de estampagem, soldagem e pintura já alcançaram quase 100% de automação.

Mesmo assim, os trabalhadores continuam presentes. A companhia emprega mais de 25 mil pessoas, incluindo funcionários responsáveis pelas inspeções finais dos veículos.

Outro exemplo aparece em Chengdu, onde a CRP Technology fabrica braços robóticos utilizados nas indústrias automobilística, eletrônica e de turbinas eólicas.

Com 300 funcionários e nove anos de experiência nessa produção, a empresa afirma que um braço robótico pode ser programado para executar mais de 90% das tarefas repetitivas.

A companhia também desenvolve um novo equipamento que poderá ajudar a fabricar outros robôs. Por enquanto, o protótipo realiza movimentos simples, como identificar códigos QR.

Com mais de 2 milhões de robôs trabalhando nas fábricas, China investe US$ 20 bilhões para transformar sua indústria, automatizar a produção e enfrentar a falta de trabalhadores
Imagem: Reprodução

Envelhecimento da população aumenta a pressa pela automação

A corrida tecnológica também está relacionada ao envelhecimento da população chinesa.

Segundo estimativas oficiais citadas pela BBC, mais de um terço dos habitantes terá acima de 60 anos até 2035.

Outras projeções indicam que a China poderá perder quase 60 milhões de habitantes na próxima década.

Com menos pessoas disponíveis para trabalhar, o governo aposta na automação para manter a capacidade produtiva das fábricas.

O problema é que aproximadamente 120 milhões de chineses ainda trabalham na indústria manufatureira.

Uma substituição muito rápida de trabalhadores por máquinas poderá provocar perdas de empregos em um setor responsável pelo sustento de milhões de famílias.

Escolas treinam jovens enquanto China disputa tecnologia com os Estados Unidos

Para acompanhar a transformação industrial, instituições como o Instituto Técnico de Hangzhou oferecem formação em programação, inteligência artificial e robótica para estudantes a partir dos 15 anos.

O professor Chen Tianyu, de 28 anos, acompanha mudanças nas fábricas para atualizar suas aulas e preparar profissionais para trabalhar com essas tecnologias.

A China também possui uma cadeia industrial que facilita a fabricação de robôs. Motores, sensores, baterias, engrenagens e componentes eletrônicos podem ser encontrados rapidamente em polos industriais como Shenzhen.

Na inteligência artificial, porém, os Estados Unidos ainda lideram áreas importantes do desenvolvimento tecnológico.

Empresas chinesas como DeepSeek e Moonshot trabalham para diminuir essa diferença, enquanto enfrentam restrições americanas à exportação de chips avançados.

A expansão da robótica acontece ainda em um cenário de crise imobiliária, endividamento de governos locais e consumo doméstico enfraquecido na economia chinesa.

Dados e informações: BBC.