China cria nova profissão que paga até R$ 4,5 mil por mês para trabalhadores ensinarem robôs a lavar louça, dobrar roupas e realizar tarefas domésticas

Nova profissão na China atrai desempregados e estudantes com salários de até 6 mil yuans por mês, mas exige repetir movimentos domésticos centenas de vezes para gerar dados usados no treinamento de novos robôs humanoides
Uma nova profissão está ganhando espaço na China. É o treinador de robôs, trabalhador que recebe para repetir tarefas domésticas enquanto sensores registram seus movimentos. Os dados são usados para ensinar máquinas equipadas com inteligência artificial.
China oferece salários de até 6 mil yuans para treinar robôs
A atividade vem aparecendo com mais frequência em plataformas de emprego e redes sociais chinesas. Os pagamentos anunciados variam entre 4 mil e 6 mil yuans mensais, o equivalente a aproximadamente R$ 3 mil a R$ 4,5 mil por mês, considerando a cotação de 20 de outubro de 2026.
Segundo uma reportagem publicada pelo South China Morning Post, em 14 de outubro de 2026, as oportunidades atraem desempregados, estudantes e pessoas interessadas em horários flexíveis.
O serviço não exige necessariamente que o trabalhador programe um robô. Na prática, ele executa movimentos simples, como pegar copos, abrir tampas, dobrar roupas e limpar superfícies.
Sensores registram essas ações, que depois são transformadas em dados usados no treinamento de máquinas destinadas a ambientes domésticos, supermercados e fábricas.

Treinador de robôs precisa repetir tarefas até 200 vezes por dia
Liu Yun, de 40 anos, começou nessa atividade depois de perder o emprego na indústria automobilística. Com dificuldades para conseguir outra oportunidade, passou a trabalhar em um estúdio de treinamento em Pequim.
Durante o expediente, Liu utiliza sensores nos pulsos e dispositivos nos dedos. Uma tela apresenta as instruções, enquanto equipamentos registram cada movimento realizado.
A meta diária é produzir 160 amostras de dados. Os funcionários mais produtivos conseguem ultrapassar 260 registros.
O desempenho também é acompanhado por telas que mostram a produtividade e a precisão dos trabalhadores.
O problema é o desgaste. Liu relatou que repetir atividades como lavar louça e limpar mesas até 200 vezes no mesmo dia provoca bastante cansaço.
Estudantes também trabalham ensinando máquinas
Sun, estudante de 22 anos da província de Shanxi, encontrou nessa atividade uma oportunidade temporária durante as férias.
Ele recebia 120 yuans por turno diurno e 135 yuans pelo noturno. Entre suas tarefas estavam varrer o chão e dobrar roupas.
Segundo Sun, muitos trabalhadores deixam a atividade depois de algumas semanas por causa do esforço físico e mental.
Já Guo Hongjuan encontrou uma alternativa mais flexível.
Moradora de Jiangsu, ela trabalha em casa aproximadamente seis horas por dia, registrando movimentos como organizar livros e deslocar objetos.
A atividade rende cerca de 4 mil yuans mensais e permite conciliar o trabalho com os cuidados do filho.
Empresa chinesa também utiliza trabalhadores de limpeza urbana
A coleta de movimentos humanos já ultrapassou os ambientes domésticos.
Em agosto de 2026, a empresa Physen AI, de Shenzhen, firmou uma parceria com uma companhia de serviços de limpeza urbana.
Os trabalhadores passaram a utilizar equipamentos que registram movimentos realizados durante a varrição das ruas, incluindo reações diante de obstáculos e bicicletas elétricas.
Essas informações são utilizadas para ajudar robôs a aprender como lidar com situações encontradas em ambientes reais.
A ampliação dessas atividades também trouxe discussões sobre o futuro do emprego. Afinal, os próprios trabalhadores estão produzindo os dados usados para desenvolver máquinas capazes de executar tarefas humanas.
Matéria elaborada com base em dados e informações de Vietnam.
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