Entenda como o novo satélite 5G usa inteligência artificial no espaço para prever eventos climáticos

A fabricante privada GalaxySpace colocou em órbita o satélite PEGA-SUS1, plataforma que integra comunicações 5G, sensoriamento remoto, inteligência artificial e computação para processar dados espaciais em tempo real e transformar o setor comercial da China.
Tecnologia integradora impulsiona a computação por satélites
O PEGA-SUS1 é uma plataforma de verificação tecnológica desenvolvida conjuntamente pela GalaxySpace, pelo Laboratório Pengcheng, pela Universidade de Ciência e Tecnologia do Sul e por outros parceiros. O projeto visa validar a integração de comunicação, sensoriamento, inteligência e computação em uma única estrutura espacial.
Trata-se da primeira experiência chinesa a reunir em um único equipamento espacial de verificação uma estação base de rede não terrestre 5G, rede central, computação de inteligência artificial embarcada, além de comunicações por micro-ondas e a laser entre satélite e solo.
Com essa infraestrutura integrada a bordo, o projeto altera a filosofia de design espacial. A proposta é migrar de modelos dedicados a um serviço único para supernós de informação, que unificam o processamento inteligente e o fluxo de dados diretamente em órbita.
Processamento em órbita reduz tempo de transmissão de dados
A arquitetura do equipamento permite transferir a rede central das redes 5G, antes limitada a salas de computadores em terra, para o espaço. Os módulos inteligentes a bordo analisam as imagens capturadas pela carga útil de sensoriamento remoto sem dependência de envio prévio para a superfície.
A tecnologia consegue identificar alvos, extrair informações úteis e sincronizá-las via interfaces de alta velocidade. Os usuários em terra acessam esses dados já analisados por meio de terminais específicos, em processo semelhante à navegação convencional na internet.
Em emergências como incêndios terrestres, a análise direta em órbita calcula a área afetada e gera resultados de detecção sem transmitir arquivos brutos. A dinâmica economiza largura de banda e tempo, permitindo a recuperação de vídeos e imagens originais apenas sob demanda.
Expansão comercial e testes para redes 6G
A plataforma também será utilizada para testar tecnologias de ponta ligadas às redes 6G em órbita. O objetivo é acumular experiência técnica para a futura transição entre a infraestrutura terrestre e uma rede integrada espaço-ar-terra na China.
Até 20 de setembro, a GalaxySpace registrou o lançamento bem-sucedido de mais de 50 equipamentos de desenvolvimento próprio. A empresa mantém o foco na produção em escala de baixo custo e alto desempenho para dar suporte à infraestrutura espacial inteligente.
As iniciativas acompanham o direcionamento da Administração Espacial Nacional da China para o setor comercial. O órgão governamental busca incentivar segmentos emergentes como a manufatura no espaço e o poder computacional orbital para ampliar as aplicações do mercado.
A orientação estratégica do governo prevê o aprimoramento de políticas, regulamentações e sistemas de padronização. Para isso, atuarão comitês especializados cobrindo foguetes, locais de lançamento, frequências e equipamentos em órbita, incluindo o Comitê Profissional de Computação Espacial criado em Pequim.
O mercado aeroespacial comercial chinês movimentou 2,83 trilhões de yuans em 2025, o equivalente a 424,8 bilhões de dólares, representando uma alta anual de 21,7%. A estimativa da consultoria CCID Consulting indica que o setor alcançará 3,5 trilhões de yuans em 2026.
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