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China ameaça retaliação contra novas barreiras comerciais e alerta para alta da inflação no mercado europeu

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Pequim advertiu que responderá com firmeza caso a União Europeia imponha restrições discriminatórias e novas barreiras comerciais aos produtos chineses, após o anúncio de planos em Bruxelas e de sansões aprovadas pelos Estados Unidos nesta semana.

Alerta chinês contra restrições econômicas e sanções

O Ministério do Comércio da China afirmou na quinta-feira que tomará as medidas necessárias para proteger os interesses do país e de suas empresas se a União Europeia avançar com medidas de salvaguarda restritivas. A declaração do governo chinês ocorreu após relatos de que o bloco europeu estuda expandir restrições para os setores de produtos químicos, mobiliário e maquinaria oriundos do território chinês.

Segundo a porta-voz do ministério, Huang Ling, a imposição de restrições artificiais ao comércio normal pode violar regras da Organização Mundial do Comércio. A autoridade reiterou que Pequim se opõe ao uso abusivo de instrumentos de defesa comercial para praticar protecionismo. Ao mesmo tempo, o governo enfatizou a disposição de resolver eventuais divergências por meio da negociação.

Em paralelo às tensões no continente europeu, Pequim também condenou formalmente uma decisão tomada por Washington na quarta-feira.

O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos adicionou três empresas chinesas do setor de biotecnologia, entre elas a BGI Genomics, a uma lista de restrições ligada à legislação de prevenção ao trabalho forçado. A China classificou a ação norte-americana como infundada e exigiu o fim imediato da repressão às suas corporações.

Impactos nas cadeias globais e na inflação europeia

Especialistas e pesquisadores alertaram que o surgimento de novas barreiras comerciais trará prejuízos à própria competitividade da indústria na Europa. O pesquisador sênior da Academia Chinesa de Comércio Internacional e Cooperação Econômica, Zhou Mi, afirmou que a limitação de produtos chineses reduzirá as opções do mercado europeu e trará custos mais altos.

De acordo com o analista, as medidas restritivas tendem a agravar as pressões inflacionárias em todos os países da União Europeia. Zhou Mi declarou ainda que os bloqueios comerciais tornarão as cadeias globais de suprimentos mais frágeis e menos previsíveis, atrapalhando a circulação de insumos e matérias-primas entre os blocos econômicos.

A fala da porta-voz Huang Ling reforçou que o país asiático deve ser visto como um parceiro na resolução dos problemas europeus, e não como a causa central das dificuldades enfrentadas pelo bloco. O governo chinês ressaltou que parcerias comerciais sólidas ajudam a conter os picos de preços ao consumidor final.

Cooperação bilateral e alinhamento de regras

Apesar dos atritos e da concorrência comercial persistente, economistas destacam a forte interconexão produtiva entre o mercado chinês e os países europeus. O economista-chefe da Yuekai Securities, Luo Zhiheng, enfatizou a existência de vantagens complementares mútuas em setores de alta tecnologia, como no fornecimento de equipamentos para fabricação de semicondutores, na aviação e na indústria farmacêutica.

O Ministério do Comércio destacou que os avanços alcançados na segunda reunião do mecanismo de consulta sobre comércio e investimento entre China e União Europeia comprovam a capacidade das partes em resolver disputas.

Para manter o diálogo produtivo, analistas em Pequim defendem a moderação no uso de punições tarifárias e a ampliação do acesso ao mercado.

O pesquisador Dai Mingfeng, da Academia Chinesa de Comércio Internacional e Cooperação Econômica, defendeu a redução de entraves e a ampliação dos investimentos transfronteiriços como caminho para gerar novas oportunidades econômicas conjuntas.

Histórico de sanções e desdobramentos com Washington

As recentes medidas tomadas pelos Estados Unidos contra empresas de biotecnologia aprofundam um histórico de retaliações mútuas registradas ao longo dos últimos meses. No final de julho, a administração norte-americana havia adicionado mais de 40 entidades chinesas a uma lista negra de restrições comerciais.

Em resposta às decisões adotadas por Washington no meio do ano, o governo chinês aprovou contramedidas legais contra entidades americanas durante o mês de agosto. O Ministério do Comércio declarou que as manobras políticas e campanhas de difamação adotadas pelos EUA prejudicam gravemente as relações econômicas bilaterais.

Diante do cenário de incerteza global, a China reiterou que manterá a aplicação de medidas firmes de salvaguarda sempre que suas empresas forem alvo de punições consideradas injustificadas por governos estrangeiros.