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A estratégia da China de combate à pobreza para mudar a vida de 55 milhões de pessoas

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A estratégia de combate à pobreza da China retirou 55,8 milhões de pessoas da extrema pobreza entre 2015 e 2020, utilizando uma abordagem integrada com foco na saúde que serve de lição global, segundo relatório da Comissão Lancet divulgado em Pequim.

Investimento bilionário e integração no combate à pobreza

O relatório da Comissão Lancet examina a iniciativa chinesa centrada na saúde, que recebeu um investimento acumulado de 1,4 trilhão de yuans, equivalentes a 215,6 bilhões de dólares, entre 2015 e 2020. O objetivo do país era atingir a meta de erradicar a extrema pobreza até 2020.

A iniciativa uniu esforços nas áreas de saúde, água, saneamento, habitação, nutrição e educação em uma estrutura multissetorial coordenada. O projeto utilizou dados sociodemográficos e monitoramento em tempo real para identificar famílias com alto risco e direcionar assistência aos mais vulneráveis.

Além disso, foram aproveitadas reformas de saúde existentes para melhorar o financiamento e a prestação de serviços a quem vivia abaixo da linha da pobreza. Como resultado, a China eliminou a pobreza absoluta em todas as regiões de nível distrital.

Avanços no atendimento médico e redução de custos

A aplicação da medida reduziu a proporção de pagamentos diretos dos pacientes no total das despesas com internações hospitalares de 41% em 2013 para 31% em 2018. As taxas de tratamento para 30 doenças graves curáveis atingiram 99,6%.

A taxa de controle da hipertensão subiu de 33% em 2019 para 45,4% em 2022. Essas melhorias foram acompanhadas por ganhos no acesso à água potável, saneamento e moradia entre as pessoas abaixo da linha da pobreza, reduzindo as desigualdades.

O coautor do estudo e professor associado da Escola de Saúde Pública Vanke da Universidade Tsinghua, Tang Kun, afirmou que custos com saúde causam dificuldades financeiras. Somente em 2019, gastos pagos diretamente por pacientes levaram 344 milhões de pessoas à pobreza ou agravaram sua situação econômica.

Cenário global e desafios para manter os resultados

O editor-chefe da revista The Lancet, Richard Horton, afirmou que o progresso global na redução da pobreza estagnou desde 2020. Citando projeções do Banco Mundial, ele disse que a taxa global de pobreza extrema pode subir de 10% para 15% até 2050.

Esse avanço potencialmente deixaria mais 600 milhões de pessoas na pobreza. Horton enfatizou a ação multissetorial e destacou a expansão da atenção primária, mecanismos de responsabilização e avaliações regulares para coletar feedback e corrigir fragilidades.

O relatório aponta desafios para a sustentabilidade das ações na China, incluindo sustentabilidade financeira, fardo de doenças não transmissíveis, envelhecimento populacional e mudanças climáticas. A representante adjunta do Unicef na China, Amanda Bissex, defendeu reforçar o apoio a famílias vulneráveis que não se enquadram nos critérios de pobreza.