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Com espaçamento de 1,5 metro, cerca de 600 árvores cítricas formam barreira usada por família de agricultores para afastar elefantes de lavoura

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Agricultoras de uma comunidade próxima ao Parque Nacional Tesso Nilo, na Indonésia, usam árvores cítricas para afastar elefantes das plantações e cultivam alimentos para os animais em áreas florestais, combinando produção e conservação.

Segundo reportagem da APSN, publicada em 14 de agosto de 2026 e reproduzida da Mongabay, a iniciativa ocorre em Lubuk Kembang Bunga, na ilha de Sumatra, com participação do grupo feminino Perbani.

Uma cerca de árvores ao redor da lavoura

A agricultora Ernita e o marido, Sumardi, plantaram aproximadamente 600 árvores cítricas no entorno de uma propriedade de 1,5 hectare. O espaçamento entre elas é de cerca de 1,5 metro.

Ernita relatou que os elefantes deixaram de comer os frutos de suas palmeiras após o plantio. Antes, moradores utilizavam explosões e fogos para espantar os animais. As frutas cítricas também podem ser consumidas ou vendidas.

A Fundação do Parque Nacional Tesso Nilo propôs a estratégia após observar que elefantes não danificavam pomares cítricos. Em trechos de floresta, orientou o cultivo de jaca, cempedak, petai e banana para alimentar os animais.

Patrulhas e recuperação da vegetação

O trabalho de conservação dessas mulheres foi analisado em estudo de pesquisadores da Universidade de Riau, publicado em dezembro de 2025 na revista MIMBAR. A pesquisa examinou atividades comunitárias na zona de amortecimento do parque.

Os autores registraram patrulhas participativas contra o corte ilegal de árvores e incêndios, além do replantio de espécies nativas. Também identificaram manejo de fontes de água, plantas medicinais e mudas locais.

O levantamento descreve o aproveitamento de produtos florestais, como mel, rattan e pandan, em atividades econômicas comunitárias. Segundo os pesquisadores, essas práticas buscam reduzir a dependência de formas destrutivas de obtenção de renda.

A transmissão de conhecimentos entre gerações integra esse trabalho. As mulheres compartilham informações sobre plantas medicinais, técnicas agrícolas e sinais ambientais, associando o uso dos recursos à manutenção da floresta.

O trabalho inclui educação ambiental destinada às crianças e aos jovens locais.

Organização para financiar atividades

O estudo também documenta bancos comunitários de sementes, hortas medicinais, artesanato e iniciativas de turismo cultural. Reuniões semanais permitem discutir problemas ambientais e organizar patrulhas, plantios e ações de limpeza dos rios.

Grupos de poupança e empréstimo fazem parte dessa estrutura. Os pesquisadores relacionam a organização coletiva à ampliação da capacidade das mulheres de administrar recursos, elaborar propostas e dialogar com autoridades sobre programas e acesso à floresta.

Parcerias com organizações sociais, universidades e governos locais oferecem treinamento e assistência técnica. Na análise dos autores, essas redes fortalecem a participação comunitária na conservação e a circulação dos conhecimentos sobre o território.

Barreiras no acesso à terra

A pesquisa foi qualitativa e participativa, com doze mulheres indígenas envolvidas no manejo de recursos naturais. Foram utilizados entrevistas, discussões em grupo, observações e mapeamento participativo.

Os autores apontam limitações no acesso das mulheres à terra e aos espaços formais de decisão. Defendem reconhecimento de direitos, participação efetiva na gestão e distribuição justa dos benefícios associados à conservação.