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China aposta em mais de mil navios elétricos, trens movidos a hidrogênio e 3 mil km de rotas sem emissões para revolucionar o transporte até 2030

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Com metas até 2030, a China aposta em navios elétricos, locomotivas movidas a hidrogênio, infraestrutura de recarga e novas tecnologias para reduzir o consumo de diesel no transporte de cargas e passageiros

A China anunciou novos planos para ampliar o uso de navios elétricos, locomotivas a hidrogênio e sistemas de transporte menos dependentes do diesel. As medidas fazem parte das prioridades industriais e ambientais estabelecidas pelo país até 2030.

China quer dobrar frota de embarcações com novas fontes de energia até 2028

O governo chinês estabeleceu uma meta para transformar o transporte pelos rios. Até 2028, a quantidade de embarcações movidas a novas energias deverá dobrar em comparação com o número registrado em 2025.

Segundo o Ministério dos Transportes da China, que divulgou as medidas em 13 de outubro, o país tinha mais de 1.200 embarcações fluviais classificadas como movidas a energias novas ou combustíveis mais limpos no fim de 2025.

O novo programa estabelece que a frota deverá ultrapassar mil embarcações elétricas de transporte e cem movidas a metanol até 2028.

A iniciativa integra o 15º Plano Quinquenal, referente ao período de 2026 a 2030. As metas envolvem também infraestrutura de abastecimento, fabricação de equipamentos e desenvolvimento tecnológico.

Na prática, Pequim pretende ampliar a utilização comercial dessas embarcações, fazendo com que deixem de atender apenas operações demonstrativas e sejam incorporadas ao transporte regular de mercadorias e passageiros.

Navios elétricos serão utilizados em viagens de até 300 quilômetros

A primeira etapa da expansão terá foco em embarcações com capacidade inferior a 3 mil toneladas e trajetos de até 300 quilômetros.

Essas condições foram escolhidas para estimular a aplicação de baterias em operações de curta e média distância, especialmente nas rotas que permitem recargas frequentes.

O plano contempla navios de contêineres, transporte de granéis, balsas, embarcações turísticas e serviços portuários.

Para percursos mais longos e navios de maior capacidade, a prioridade será o metanol, combustível que pode ser utilizado em motores desenvolvidos ou adaptados para essa finalidade.

O documento também prevê pesquisas envolvendo hidrogênio, biocombustíveis e novas tecnologias de armazenamento de energia.

A estratégia não determina a substituição imediata dos navios convencionais. O objetivo é ampliar gradualmente as alternativas disponíveis, conforme as características de cada operação.

Governo pretende criar 3 mil quilômetros de corredores de navegação sem emissões

Outra meta é formar, até 2028, uma rede de 3 mil quilômetros de corredores classificados pelo governo como rotas de transporte aquaviário de emissão zero.

Entre as regiões prioritárias aparecem os rios Yangtzé e Xi, o Grande Canal Pequim-Hangzhou e o delta do Yangtzé.

Para atender essas rotas, o governo pretende instalar estruturas de recarga e troca de baterias nos portos e terminais.

No rio Yangtzé, a proposta inclui uma rede de abastecimento de metanol, com instalações previstas em Chongqing, Yichang, Wuhan e Nanjing.

O plano oficial de navegação interior também prevê mecanismos de financiamento, padronização de embarcações e incentivos à fabricação de equipamentos.

A classificação de corredor com emissão zero, entretanto, não significa necessariamente ausência de emissões em toda a cadeia produtiva. O resultado depende também da origem da eletricidade e dos combustíveis utilizados.

Ferrovias terão locomotivas com baterias, hidrogênio e motores mais eficientes

A modernização também chegará às ferrovias. A Administração Nacional de Ferrovias publicou, em 12 de outubro, um programa de inovação tecnológica para 2026 a 2030.

Entre as prioridades estão locomotivas movidas a baterias, hidrogênio e sistemas híbridos, além de modelos convencionais com menor consumo de diesel.

Essas tecnologias serão estudadas principalmente para operações em linhas que não possuem eletrificação por cabos aéreos.

O programa também estabelece o desenvolvimento de sistemas de monitoramento das emissões ferroviárias, incluindo fabricação, operação e manutenção dos equipamentos.

A meta nacional é contribuir para que as emissões totais do setor ferroviário atinjam seu pico até 2030.

China também prepara trens de 400 km/h e novas aplicações de inteligência artificial

A transformação ferroviária não ficará limitada aos combustíveis.

Até 2030, a China pretende criar aproximadamente 30 bases de inovação tecnológica, desenvolver pelo menos cem tecnologias estratégicas e alcançar 500 resultados relevantes de pesquisa.

O programa contempla sistemas ferroviários preparados para operações a 400 quilômetros por hora e pesquisas com trens de levitação magnética capazes de atingir 600 quilômetros por hora.

A inteligência artificial também terá participação. O governo prevê pelo menos 20 conjuntos de dados especializados e mais de 20 aplicações voltadas ao setor ferroviário.

Essas ferramentas serão direcionadas à manutenção, segurança, operação e gerenciamento das ferrovias.

No transporte fluvial, a meta para 2030 é alcançar uma utilização comercial mais ampla das novas fontes de energia.

Os documentos não estabelecem uma data para eliminar completamente o diesel. A transição dependerá da expansão da infraestrutura, dos testes tecnológicos e da viabilidade comercial das novas embarcações e locomotivas.

Matéria elaborada com base em dados deste artigo da VEJA.