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EUA liberam US$ 755 milhões para desafiar domínio da China no mercado de grafite

EUA liberam US$ 755 milhões para desafiar domínio da China no mercado de grafite

Descubra como os EUA estão investindo em grafite sintético para reduzir a dependência da China na cadeia global de baterias, com destaque para o projeto inovador da Novonix no Tennessee

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo na tentativa de reduzir a influência da China sobre a cadeia global de suprimentos de baterias. Desta vez, anunciou um financiamento significativo para a construção de uma fábrica de grafite sintético no Tennessee, a primeira de grande escala na América do Norte.

A Novonix, empresa australiana responsável pelo projeto, recebeu um empréstimo condicional de US$ 755 milhões (R$ 4,68 bilhões) do Departamento de Energia dos EUA. A fábrica será erguida em Chattanooga e tem previsão de atingir capacidade plena em 2028. O objetivo é produzir grafite suficiente para abastecer cerca de 325 mil veículos elétricos por ano.

Dependência chinesa e retaliações comerciais

Atualmente, a China domina mais de 95% do mercado global de grafite usado em baterias. Esse monopólio tem sido usado como ferramenta de pressão em meio às disputas comerciais entre Pequim e Washington. Recentemente, o governo chinês anunciou restrições mais severas à exportação de grafite, em resposta às limitações impostas pelos EUA sobre tecnologias críticas.

Chris Burns, CEO da Novonix e ex-engenheiro da Tesla, destacou a importância de diversificar a cadeia de suprimentos. “Os últimos anúncios da China sobre controle de exportação mostram a necessidade urgente de produção doméstica de grafite sintético de alta qualidade”, afirmou Burns.

Avanço da Novonix e repercussões no mercado

A construção da fábrica impulsionou as ações da Novonix em 9%. A empresa australiana tem parcerias com grandes nomes da indústria, como LG, Panasonic e Stellantis. Além disso, contamos com o apoio de investidores estratégicos que veem no projeto uma oportunidade de reduzir a dependência de materiais críticos vindos da China.

A iniciativa americana ocorre em um momento em que outra produtora de grafite, a Syrah Resources, enfrenta dificuldades. A empresa que opera em Moçambique sofreu atrasos nos financiamentos e interrupções na produção devido a protestos locais.

Grafite: um material estratégico

Entre os componentes usados ​​em baterias de veículos elétricos, o grafite é considerado o mais difícil de obter fora da China. Ele é utilizado no ânodo da bateria e pode ser extraído de forma natural ou produzido a partir de casco de agulha, derivado do petróleo.

Dados da Benchmark Mineral Intelligence mostram que a China responde por 86% da produção mundial de grafite natural e 80% de grafite sintético, além de dominar os processos tecnológicos subsequentes na cadeia produtiva.

Nos EUA, a Lei de Redução da Inflação (IRA), do governo Joe Biden, exige que componentes críticos de baterias obtidos sejam de fontes não chinesas para garantir créditos fiscais de até US$ 7.500 por veículo. Contudo, uma flexibilização foi concedida até 2027, permitindo que o grafite chinês ainda seja usado em veículos elétricos que recebem subsídios.

Preferência por grafite sintético

A Novonix aposta no grafite sintético, cada vez mais requisitado pelos fabricantes de automóveis devido ao seu desempenho superior. Apesar de mais caro, o material ajuda as baterias a carregar mais rápido e têm maior durabilidade, tornando-se essencial para a evolução dos veículos elétricos.

Burns ressaltou que a dependência de um único país para insumos críticos é um problema global. “Quando trabalhei na Tesla, já era evidente o domínio chinês na cadeia de baterias. Precisamos de alternativas robustas para garantir a segurança do setor”, disse.

Perspectivas e desafios

A iniciativa americana representa mais do que uma simples expansão industrial. É parte de um esforço estratégico para fortalecer a independência do país em áreas sensíveis à economia.

Burns destacou que o financiamento garantido pelo projeto no Tennessee estava “definido” e acredita que a criação de empregos e o fortalecimento da cadeia de suprimentos são questões que transcendem divisões partidárias nos EUA.

“A questão não é se o setor de baterias e minerais críticos será apoiado, mas como isso será feito”, concluiu Burns, apontando para a continuidade das iniciativas, mesmo com possíveis mudanças na política americana.